HHQs: História das Histórias em Quadrinhos – Parte 1

Sentem-se marujos, hoje navegaremos no tempo, de volta para alguns séculos atrás, quando surgiram as Histórias em Quadrinhos. WOW. Não World of Warcraft, apenas a expressão WOW. Esse post será bastante longo, por isso fazer um série dividida em duas partes.

Houveram alguns comentários sobre o post anterior ter sido extremamente pouco detalhado. Nem vou falar que foram os gêmeos. Ops. Foi pouco detalhado mesmo, mas eu os avisei anteriormente que não me lembrava das perguntas. Estava distraída com o calçado do PC. Mas tudo bem, sigamos em frente.

Na tarde de hoje o assunto é HQs, devido a uma aula que assisti ontem (28/08) a tarde, da matéria de Fantasia e Ficcção Científica na Cultura Pop (vulgo FFCCP ou FFCP). Bom, acredito que mais ninguém do curso de SI tenha assistido a essa aula, porque não faz parte da grade, mas é minha matéria favorita neste semestre. Suspeitem do porquê.

Ontem eu deveria na verdade ter feito uma avaliação desta matéria, mas devido a uma reunião que o professor teve de comparecer, um de seus doutorandos veio dar a aula sobre A História das Histórias em Quadrinhos (ocidentais). O que foi muito bom, já que eu ainda não assisti aos 10 filmes da lista para a prova, e nem terminei de ler os dois textos que foram passados. Ufa. Can I hear a ‘Hell Yeah’?

Nessa aula eu realmente prestei atenção, então lhes contarei sobre essa história super interessante. Pelo menos vossa Capitã considera super interessante, pois é um assunto o qual me agrada, não sei sobre vocês. Caso eu tenha me esquecido de algo, ou feito algum mal entendido, estejam à vontade para me corrigir. Então, alçar velas!

Primeiramente, houve uma breve introdução sobre os Quadrinhos, que eu passarei para vocês. Bom, se não todos nós, boa parte já deve ter lido algum quadrinho, não importa se foi um comic do X-men, gibi da Turma da Mônica, mangá do O Chamado, alguma charge do ENEM, whatever, principalmente na infância (não a parte do ENEM, acredito). Isso, porque a linguagem dos quadrinhos é fácil de ser lida e entendida, sem ter a necessidade de ser “alfabetizado em quadrinhos”. É, claro, você tem que ser alfabetizado pra poder ler, mas não precisa que ninguém te ensine a ler os quadrinhos. A não ser que tu vá  ler um mangá, e não faça ideia de como começar, aí sim, talvez seja necessário explicar que se lê de trás para a frente. Mas é de certa forma intuitivo.

A origem e a primeira publicação de quadrinhos ocorreu nos jornais, como ainda é feito até os dias de hoje. As HQs eram escritas com temáticas do cotidiano dos escritores/desenhistas. Existe uma certa discussão sobre quem publicou os primeiros quadrinhos, já que os americanos dizem que foi em 1897, com o The Yellow Kid in McFadden’s Flats, um garotinho num casaco amarelo, quase maior que ele mesmo, diga-se de passagem, onde eram escritas algumas frases. Porém, antes mesmo disso, em 1837 no Brasil já haviam sido publicado a primeira charge em um tipo de jornal avulso, ou seja… não dá pra discutir com americano quando se trata de pioneirismo.

The Yellow (weird) Kid (não sei se devo mencionar seu dedão do pé direito extremamente grande, que aparentemente equivale à soma dos tamanhos dos três últimos dedos, mas já mencionei. Num triângulo retângulo de dedos, seria com certeza a hipotenusa. Pelo menos a pessoa sabia desenhar dedos, ao contrário de mim.)

O Yellow Kid era a única “coisa” colorida nos jornais, que eram todos preto e branco. Isso era feito para que pudesse entreter os trabalhadores imigrantes, que naquela época quase ou totalmente não falavam inglês.

No Brasil, a primeira revista de HQ publicada foi O Tico-Tico (1905), que mais de 50 anos depois foi perdendo popularidade, quando surgiram os suplementos de jornais, agora, realmente com histórias de heróis. Os suplementos de HQs supostamente deveriam vir dentro dos jornais, mas eram distribuídos separadamente. Isso, porque o fundador da editora de quadrinhos, o italiano Arturo Vecchi, deu seus jeitinhos para burlar o Getúlio Vargas. Essa é uma história  engraçada.

Naquela época, estrangeiros não podiam ter firmas no Brasil, justamente por causa do patriotismo imposto pelo Getulhão. Ocasionou-se que Vecchi era amigo do delegado do DOPS, sim, o Departamento de Ordem Política e Social, e como uma mão lava a outra, mas as duas sujam o carrinho de Hotwheels na lama, o amigo de Vecchi autorizou que ele abrisse a editora, contanto que ficasse na surdina. Conseguiu até que o GV desse um patrocínio para o suplemento do jornal, sem fazer ideia do que se tratava.

Criada a editora, Arturo precisava distribuir seu suplemento. Tudo bem, mas era preciso um jornal pra isso. Deu-se que nenhum jornal queria o suplemente, principalmente O Globo. Assim, os suplementos passaram a ser distribuídos fora dos jornais, e com ajuda de ninguém mais, ninguém menos, que o DOPS. Awesome! Depois de algum tempo, quando Roberto Marinho se deu conta de que os suplementos estavam vendendo mais que cerveja no Hooters, resolveu que queria em seu jornal também. Agora cê quer né? E nesse meio tempo a Record surgiu como distribuidora, e ficava naquele nem lá, nem cá, fazendo sua parte dos dois lados.

O primeiro comic publicado nos EUA foi The Adventures of Obadiah Oldbuck.

Mas antes mesmo das revistas de HQs, existiam as pulp fiction. Sim, o mesmo nome do filme do Tarantino. As pulp fictions eram histórias escritas em papel de baixa qualidade feitos da polpa do papel, por isso “pulp“. Essas histórias eram escritas de forma diferente, sendo que primeiro o cara da editora pedia para o desenhista criar uma capa, e depois o escritor deveria escrever uma história baseada naquela capa. Os escritores de pulp fiction ganhavam por palavra, devido a isso, deixavam tudo nos mínimos e desnecessários detalhes, tornando as revistas do tamanho de um livro. O doutorando que deu a aula até falou sobre uma piada, a qual era mais ou menos assim:

Alguém faz a seguinte pergunta para um escritor de “pf”.

Quantos escritores de pulp fiction são necessários para trocar uma lâmpada?

E o escritor começa responder a pergunta dando um monte de voltas em suas palavras, falando sobre a importância da diferença dos tipos de lâmpadas etc. Isso, porque ele ganha por palavras.

As pulp fictions deram início às histórias de super heróis como vemos hoje, sendo que vários deles passaram mais tarde a ser HQ. O Tarzan, por exemplo, foi a primeira pulp fiction que se tornou comic.

A primeira parte da série HHQs termina aqui, mas muito em breve, quem sabe hoje mesmo, posto a parte 2. Espero que estejam gostando, marujos. Até mais ver.

HHQs: História das Histórias em Quadrinhos – Parte 2

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Você não deveria estar por aqui, volte já ao trabalho, certo, marujo!
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2 respostas para HHQs: História das Histórias em Quadrinhos – Parte 1

  1. Jéssica Lane disse:

    É jovem jovem, dessa vez você não economizou nos detalhes kkkkk Parabéns pelo post!

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